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Um Benfica Vulgar

Os preços dos bilhetes para o público são inadjectiváveis.
O futebol apresentado é a mesma coisa, fico à espera de ver O MEU BENFICA A JOGAR FUTEBOL DE NOVO, quando voltar valerá a pena, claro, adoro futebol e o Benfica, desde criança.
Acho extraordinário que as pessoas gastem quantidades exorbitantes para ver espectáculos deprimentes, mas é claro cada um faz do seu dinheiro o que lhe aprouver.

VIVA O BENFICA DE SHÉU, NENÉ, CHALANA, ALVES, STROMBERG, FILIPOVIC, JORDÃO, HUMBERTO, PIETRA, RICARDO, VALDO, REINALDO E Samuel e Cavunji! Os meus jogadores preferidos (quando somos crianças a vida é quase perfeita - sorriso suave), viva os que amam o Benfica.

A capa invisível!

A bola escondida entre duas voltas e contra voltas, um truque inimaginável, saltou para o colo do girafa, atabalhoado sem saber o que fazer fugiu-lhe para as pantufas do puma, parecia uma gazela, entrou com a bola dentro da baliza, ninguém soube o que se passou, o pescoço longo ainda bamboleante correu para os braços do felino mas caiu desamparado antes de lhe agradecer. O golo improvável. Vencemos.

O Silêncio da Baliza

Do outro lado uma correria sem fim, guardo a porta da felicidade de outros, esta casa não é nossa, é desconfortável este portal.
Como se as portas não devessem estar escancaradas para a felicidade, o jogo é ao mesmo tempo alegria e desprezo pelos básicos da fraternidade, como se fosse.

Autor

das histórias dos outros.


O nobre cansaço de viver a tua vida, de te dizer como fazeres que eu sei melhor e para ti é mais fácil que assim escusas de pensar, descansa que penso por ti, deita a cabeça na almofada e dorme mais uns minutos.

Tens a casa desarrumada, deixa-me dizer-te como a deves arrumar, que vejo nada saberes de limpezas, não contrates uma empregada eu explico-te como deves limpar, cuida de não seres enganado nos seus honorários (se a contratares, sei que vais), que o dinheiro Tem a sua valia estimável.


Um copo de água fresca por favor que o calor está inclemente, não está?

A minha casa não me chega, é demasiado pequena, deixa-me entrar que sufoco na pequenez.

Uma das maiores sensações de cansaço na casa dos outros, apesar do aparente trabalho excepcional, é ser ele O dirigente o dono oficioso, todos acharem bem, esta unanimidade em torno da falta de qualidade, da pouca agilidade, senhor do desperdício, como se fossem quase virtudes. Em breve a qualidade e a inteligênci…

Redenção

Ser-Se Enorme a Condição de todos os seres Humanos
Olho atrás, para trás, sonho outro eu,
Um rio caudaloso, uma cascata de luz e sombra, eu num farol de mim no meio como um campo de girassois

A minha, a tua, a nossa história, são contos diários onde nos reconhecemos virtude perdida
uma arte que se encontra em grutas sem nome ou geodefinição
Criatividade amor ao belo, uma estrutura de poetas e gente simples e estival

Dar corpo ao sonho, ser-se o Sonho de Todos
ARTE


MEMÓRIAS

Fogachos de outros anos, como se fossem outras vidas, décadas de olhos cheios de luz e entusiasmo, como as crianças a correrem atrás de uma bola, numa alegria sem medida, assim já todos nós fomos, pequenitos e pequenitas que sabiam que o amor à vida e ao jogo e de uns pelos outros eram sempre vitórias, todos os dias. Acordávamos cheios de alegria do jogo com os outros, todos os outros e outras, eram dias sempre novos, jogos sempre maravilhosos.
O Benfica no coração das crianças e dos adultos meninos e meninas é sempre assim façam o que fizerem, porque esse mundo habita esses e essas, são os príncipes e as princesas na vida, e os dias são mais dias nos corações com essas pessoas junto de nós...

Vencer é Resignar-se

"Vencer é Resignar-se


Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar. O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.

Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose' "